
Ainda relativamente ao comunicado do PS. Não é preciso ser exegeta, nem sequer ter feito o crisma, para nos apercebermos da analogia imbecil que o policopiado rosa faz a certa altura. Pergunta o documento, já no seu final,
“quem é que, na assembleia municipal, vai pactuar com os vendilhões do tempo?”, deduzindo nós que a Câmara seria o terrível vendilhão e os balneários o nosso templo. Ora acontece que os bíblicos vendilhões do templo não eram agentes imobiliários nem estavam lá para vender o templo a uma qualquer confissão religiosa com capitais de risco. Os vendilhões do templo eram só uns pobres coitados que vendiam bugigangas e ovelhas e que acabaram por levar nos cornos do Jota Cristo. Catequese mal feita. É o que dá ser um partido laico.
Uma tristeza de se ver. Devemos ter o Presidente mais tosco que há memória. O homem privatiza, vende, nacionaliza e volta a privatizar. Uma autêntica barata tonta. Junte-se a ele o eco na comunicação social, um ou outro vereador incompetente e mais outro excluído e seríamos tentados a pensar que estavam criadas todas as condições para a oposição brilhar, certo? Errado. O Presidente é carroceiro mas tem uma ideia para o concelho: emprego não qualificado, obras públicas e festas da vila. Coisa curta, eu sei. Mas a labregada gosta. É que o PSD, justiça seja feita, nunca defraudou os seus eleitores. Sempre foi um partido de parolos. O militante base é parolo, o gajo da JSD é labrego e o presidente da câmara assume-se, orgulhosamente, como o parolo-mor da seita. É por isso ridículo o
comunicado do PS quando acusa esta câmara de “TRAIÇÃO!!!”( assim mesmo, com maiúsculas). O Tó está a cumprir o programa. Não há dinheiro para pagar as obras? Venda-se património. Onde é que está a traição? O que “é preciso é obra” (artigo 23º, alínea a), da carta fundadora do PPD/PSD).
A oposição nem programa tem. O Sr. Eduardo Boloto (que o meu corrector do Word teima em chamar bolota) diz que a venda dos balneários “
delapidaria o património do concelho”. E, acrescento eu, que 2 + 2 são 4. Já o PS é um caso clínico. Leia-se o comunicado emitido. Só a forma diz tudo. Os comunicados do POUS devem ter melhor qualidade de impressão do que aquele borrão gráfico. Depois a linguagem. Vocábulos como “negociata”, expressões como “as termas estavam a dar rendimento” – parece que falam de putedo – ou “vendilhões do tempo”, são tudo artifícios linguísticos imaginativos e engraçados para se usar num blogue mas não num comunicado de um partido que acredita ser alternativa. Como modernamente se diz, o PS devia era “fazer o trabalho de casa”, “estudar os dossiers” e “apresentar alternativas”. Não está para isso. Fica-se por apresentar umas contas de mercearia numa linguagem arruaceira e, caridosamente, lembra-se dos “trabalhadores que irão ser despedidos e os contratados que não irão ser readmitidos”, tudo preocupações normais para quem, no poder, usou e abusou da cunha balnear. E é tudo. Quanto à questão da privatização, em abstracto, da Termalistur,
rien de rien. Quota dos hoteleiros na empresa?
Not a Word. A superficialidade elevada a posição política. Entre Tós, Duques e Instâncias, venham os labregos e escolham. Mal por mal, mais vale ficarmos com os originais.
Jornal de Notícias: A Assembleia Municipal, onde o PSD tem a maioria, aprova amanhã a venda dos balneários das termas. Era isso que queria?
António Carlos Figueiredo: Os balneários já não vão ser alienados, por isso, a Assembleia Municipal já não reúne amanhã, porque o único ponto da agenda de trabalhos era esse.
Já não vende? Há alguma explicação para o recuo?Não se trata de um
recuo*. O que se passou é que ponderamos, reflectimos melhor e decidimos reavaliar o processo de venda daqueles edifícios. O balneário rainha D. Amélia, por razões históricas, por ser um emblema da estância, está fora de questão. É inegociável. Já em relação ao D. Afonso Henriques, estamos a equacionar vendê-lo em hasta pública a partir de Abril de 2007, mês da conclusão das obras de requalificação. E quem o comprar, vai ser na condição de a Termalistur se manter gestora do equipamento.
O negócio das termas abortou à nascença?Nada disso, está mais vivo do que nunca. Nós não perdemos tempo a discutir factos acessórios. Não embarcamos nisso, como queria a Oposição. O que é importante é o futuro das termas. E esse, nós queremos assegurá-lo.
E de que maneira?Chamando a nós um parceiro estratégico com quem vamos dividir o capital social da Termalistur. A empresa municipal manter-se-á maioritária, com 51 por cento, e o parceiro estratégico com 39%. Os restantes 10% vão ser subscritos pela Associação de Hoteleiros das termas de S. Pedro do Sul. O acordo foi assinado ontem e vamos levá-lo à votação na Assembleia Municipal, que deverá reunir para a semana.
Mas o futuro das termas qual vai ser?Vamos construir o segundo pólo da estância termal, em parceria com os novos accionistas. O projecto vai ser apresentado no próximo mês. Será um investimento de 54 milhões de euros, que vai apostar no termalismo de bem estar. O projecto contempla a construção de um hotel de cinco estrelas; uma clínica de reabilitação; um centro termo-lúdico; um centro comercial; moradias turísticas, etc. Vão ser criados mais de 600 postos de trabalhos.
«»
*Recuar, do Lat. re + culu, ânusfig.,
ter ideias contrárias ao progresso;
acobardar-se;
hesitar;
desistir de um projecto;
arrepender-se.
Primeiro foram as actas e deliberações da Câmara municipal que deixaram de ser publicadas quando passaram a ser alvo de chacota cibernética. Agora é a vez do plano de actividades da Termalistur desaparecer misteriosamente do seu site depois de um
post aqui publicado. Coincidências, só pode.
Tal como com Deus, acredito que a incompetência e a idiotice estão nos pequenos detalhes. Leio o
plano de actividades da Termalistur para 2006 e mais convicto fico da bondade da máxima. Deixemos de lado aquele calão de gestão moderninha que vem em qualquer manual baratucho e o vencimento do administrador executivo e concentremo-nos antes nos pormenores do relatório. Veja-se a frase que dá o mote ao documento: “Nenhum vento ajuda quem não sabe para onde vai”. Ironia pura, eu sei. Desconfio, no entanto, de tal sofisticação por parte dos néscios balneares. Decido fazer pesquisa rápido no google para desvendar o autor original do aforismo. Em 0, 93 segundos (fonte:
http://www.google.pt/) ficam desfeitas as minhas dúvidas: aquela gente decidiu roubar a
tag ao
relatório de contas da vizinha Martifer.
Continuo então a desbobinar o relatório e leio atentamente o explanar dos vários objectivos da empresa para as diversas áreas onde actua. E lá voltam as frases programáticas. Ao longo do documento podemos deslumbrar-nos com belas frases de Marco Pinto ou Paulo Branquinho que no dizem que “os Sistemas e as Tecnologias de Informação são vitais para o sucesso da gestão da empresa” ou que “na Tesouraria o espírito de equipa e a confiança são factores de consolidação para o sucesso da empresa””. Até aqui, aceitável. Piroso mas aceitável. Acontece que esta malta além de saber muito pouco de gestão também não sabe o que é o bom senso e, por isso, ao lado de eloquentes pensamentos de Mónica Marques (“O sucesso do nosso trabalho depende da nossa dedicação”) está uma citação de John Ruskin que no diz que “a maior recompensa de nosso trabalho não é o que nos pagam por ele mas aquilo com que ele nos transforma”. E os detalhes estão aqui. Quem foi John Ruskin? Um
escritor, do século XIX, mais lembrado por seu trabalho como
crítico de arte e crítico social britânico. Quem são Marco Pinto, Paulo Branquinho e Mónica Marques? Não sei. Talvez tachistas do Século XXI.
Diz-nos o Tó que a privatização da Termalistur é necessária para "
fazer face à concorrência". Óbvio. Não fosse o pequeno pormenor de ser tudo feito em cima do joelho e nas costas do munícipe, por mim, até podiam privatizar aquilo por completo. Nada melhor que o bom capitalismo selvagem para agilizar a gestão e mandar para o olho da rua a horda de inúteis que por lá se passeia. Só não percebo bem é o que é que o Tó quer dizer com o "fazer face à concorrência". Afinal de contas, o investidor em causa, Dr. Gonçalo Pereira Coutinho, é também administrador da
Sociedade das Águas da Curia, S.A.
Um gajo sério e honesto
Terminada a época 94/95 - e já de saída do seu Sporting - Luis Figo, sempre auxiliado pelo sempre insuspeito José Veiga, assinou um contrato-promessa com o Parma e outro com a Juventus, acabando por ser contratado pelo Barcelona FC, tendo sido, por isso, proibido de actuar no calcionatto por um par de temporadas. Do clube catalão rumou para o rival Real Madrid, não sem antes a massa associativa o vituperar de pesetero. Pelo meio teve ainda tempo para emitir opiniões racistas acerca de um português naturalizado, seu companheiro de selecção. Um bom Português, está bem de ver.
Isto de ser fã dos laranjinhas não tem muito que se lhe diga. Há aqueles que gostam do Gang do Tó, Adriano, Sousa e Matos e outros, como eu, que preferem os Drugues do Alex, Tosko, Georgie e Pete do Laranja Mecânica. No fim, chegamos todos à mesma conclusão: ambos fazem merda e provocam a destruição.
Clockwork orange, 1971