Caro Tó, aceite um conselho amigo. Deixe lá a oposição rosa perorar à vontade. Uma não sabe o que diz e o outro, bem, nem lhe fale de queixas-crime. Fundamentalmente há que manter a tranquilidade.
Lá estarei,
pá. Só faltou dizer a data e local, mas já conferi
aqui.
Gracias.
Acabo de encontrar on-line um Diagnóstico Social do Concelho de São Pedro do Sul . Uma pérola. Como pequeno aperitivo, digo-vos só que o documento aponta o alcoolismo como uma ameaça à freguesia de Carvalhais (
vide post sobre assembleia de compartes) e que a malta do Candal, tal como eu suspeitava, só sabe assinar de cruz. Leiam o resto
aqui.
As ventoinhas, essas dádivas que Tó e o Adriano em boa hora nos deram, são uma coisa tão boa tão boa e trazem tanto investimento e desenvolvimento para a serrania que o Parque da Fraguinha já está à venda ao desbarato. Tudo isto na mesma semana em que a EDP anunciou o aumento do custo da electricidade devido à obrigação de comprar a energia proveniente das eólicas. Uns génios.

Apupado, desde o texto das eólicas, com os simpáticos epítetos de snob, menino rico e até aristocrata (tudo coisas que, infelizmente, ainda não sou), arrisco aqui esboçar uma tentativa de reabilitação da minha imagem junto das massas ignaras.
Deixai vir a mim a cultura popular. Confesso: sempre gostei de música Pop. Gosto de trautear aquelas letras escorreitas, mundanas e triviais que nos falam da vidinha, da noite, das zangas com a namorada e outros temas de relevo. Até a estrutura rígida das canções, assim ao jeito de um soneto com banda sonora de fundo, que dá um certo ar conservador à sanfona, é do meu agrado. Mas nem só de música se faz o universo da Pop. Artista Pop que se preze tem de construir uma relação obsessiva com a sua imagem. Não há aparição de banda Pop em que os catraios não transpirem posse, estilo, vaidade e exagero. Existe quase um cânone implícito pelo qual se devem guiar. E isso agrada-me. Que querem? Sou um iconolátra.
Quem costume ver entrevistas e actuações dos artistas percebe melhor do que falo. Há sempre aquele guitarrista a mandar umas bojardas filosóficas e a dar uns ares de culto para passar por mentor do grupo. Já o vocalista é o rebelde, o bobo da agremiação. Resume-se a dizer umas caralhadas e a proferir umas frases bombásticas. Vive do sound byte. Depois há o baterista, um dos ícones mais castiços da Pop. Invariavelmente com um ar de ressaca mal curada, nesses entrevistas o homem encontra-se sempre afundado no sofá, estilo urbano-depressivo e cigarro no canto da boca. Nunca diz um caralho durante a conversa. Por fim, temos o elo mais fraco: o baixista. O geek do grupo que parece ter caído de pára-quedas. Sempre com cara de totó, toda a gente se está a marimbar para o que diz. É só um macambúzio contratado à última da hora.
Acrescente-se agora o missing Link. Parecem-vos despropositados estes devaneios idílicos pela cena Pop? Talvez, mas façam só o exercício: ponham o Adriano na guitarra, o Tó nas cantorias, o Sousa de baquetas e o -- pausa para expelir o suco gástrico -- Matos no baixo. Lá está. Agora percebe-se porque é que o Tó Morrison ganha eleições. A nossa Câmara é uma banda. Pop. O Prof. Castro é o gajo que monta o palco.
Acho sempre um piadão aquela malta que se dedica à filantropia e caridade à custa do dinheiro dos outros. Têm sempre muitos projectos, querem todos tirar o povo incauto da ignorância ou abrir a cultura aos descamisados, mas quando chega a hora de mostrar a abnegação e o altruísmo necessário, (i.e., meter dinheiro do nosso bolso) a coisa passa a piar mais fino. Nada que não se resolva. Pede-se um subsídio à Câmara e continua-se com a nossa abnegada caminhada em favor dos outros. E com o dinheiro dos outros, claro. Veja-se este
caso. Cria-se uma Associação Cultural, faz-se Stand up comedy com os amigos às
custas do erário público e - suprema das latas - não se coíbem mesmo assim de mandar acordar o pessoal responsável para criar, na cadeia municipal, um "espaço
cultural onde podiam ir os jovens e as crianças que usam e não usam drogas”.Enfim, pobres e mal agradecidos.