Boletim irrisório
Sexta-Feira, dia 16, pelas 21h30, Jaime Nogueira Pinto, Miguel Anacoreta Correia e Miguel Freitas da Costa discutem o tema "DIREITA E DIREITAS NA EUROPA DO SÉCULO XXI".Na
Livraria da Praça, em Viseu.
(via
O Acidental)

A Associação dos Amigos de Figueiredo de Alva também já tem poia, perdão, poiso na net. É só cagar, perdão, clicar
aqui.
A coisa dá pelo nome de “Ditadura das Democracias” e já devem ter ouvido falar do fenómeno pela boca dos vários Nunos Rogeiros deste país. É ir à estante de política internacional da Fnac e tirar um Chomsky ou um Ravonette para ficarmos dentro do assunto. Grosso modo, a ideia é mais ou menos esta: depois do fim do Império Soviético e da emergência da nação Americana como potência hegemónica, começa a surgir uma certa ideia na comunidade internacional de que só um estado medularmente democrático pode existir e intervir plenamente no cenário internacional, o que leva, inevitavelmente, a que qualquer ditadorzeco do Laos ou uma Junta Militar do Nepal se arroguem de democráticos.
Parece-vos isto um post à La Silva? Bem, que me desculpem, desde já, os meus fiéis leitores por ter escrito um parágrafo inteiro sem usar as palavras “Toninho”, “S. Pedro” e “Duque”, mas esta pequenita lição de política internacional não é despicienda para perceber o funcionamento da nossa autarquia do melão. Sim, eu bem sei que a Lei das autarquias locais ainda não foi revista e, mesmo com o Tó a ir ás Astúrias para ser investido Cabalero D’Onor, o Poder autárquico ainda não pode conduzir a política internacional desta velha Lusitânia, mas o conceito serve bem para descodificar o que eu quero.
Se inerente aquela coisa da “Ditadura das Democracias” está uma certa ideia de generalização dos regimes e dos princípios pelos quais a comunidade internacional se rege ou dá primazia, mutatis mutandis (o latim dá sempre uma certa credibilidade) o mesmo fenómeno aconteceu no Poder autárquico. Cheguei a esta conclusão a fazer zapping pelos canais da TV cabo. Biography, História, Sic Radical, Sexy Hot, RTP – N. Lá acabo por poisar uns minutos pelo antigo canal do Norte. E porque não? Falava o Prof. Adriano para o programa “Portugal à vista”, uma rubrica que se dedica a fazer visitas guiadas ao Portugal “desquecido e ostracizado”. Desta vez, uma edição dedicada à região de Lafões. E o que é que se disse durante os 20 minutos de programa? Aquilo que qualquer autarquia do Minho a Timor publicitaria. O grande “património Histórico-cultural do concelho”, o ”folclore”, os inevitáveis “espaços verdes” e o grande “espolio gastronómico” da região. No fim, o toque humanista. “As gentes” do concelho. Que, claro, é gente boa e trabalhadora. Pelo meio, ainda se deu tempo de antena a uma moçoila das Estação das Artes e Sabores que falou de cátedra sobre pastelaria e tapetes e que nos informou que, dentro da nossa vasta doçaria regional, temos “o bolo de chocolate”.
De seguida, a emissão seguiu para Vouzela. A mesma receita. O Tó Carlos lá do sítio não tem dúvidas. Abriu a entrevista a falar da serra e do pastel.
E mais não pude ver. Estava na hora do almoço e ia ter leite creme à sobremesa. Um doce regional, portanto.